Lagos: Uma Cidade com História e Mar

9 de abril De 2025

Lagos é uma cidade do Algarve, no sul de Portugal, onde o mar acompanha séculos de história. Muito antes de as praias e falésias definirem a sua imagem turística, a localização do seu porto tornou-a ponto de passagem de diferentes povos, base de viagens marítimas e palco de acontecimentos que deixaram marcas profundas na cidade. Percorrer Lagos hoje é também aprender a reconhecer esse passado nas muralhas, igrejas, praças e edifícios do centro histórico.

A história de Lagos começou muito antes das viagens marítimas

A relação de Lagos com o mar antecede em muitos séculos aquilo que hoje reconhecemos como a cidade algarvia. O antigo nome Lacobriga está associado às primeiras comunidades que ocuparam esta zona, seguindo-se diferentes presenças mediterrânicas e, posteriormente, a ocupação romana.

Séculos depois, durante o período islâmico, a povoação foi fortificada e ganhou uma nova organização urbana. Em 1249, Lagos foi conquistada pelos cristãos e integrada no território português. A sua posição junto à costa continuaria a determinar grande parte daquilo que aconteceu a seguir.

Essa história ainda ajuda a explicar a cidade atual. O centro histórico, as muralhas e a proximidade permanente do porto não são apenas cenário: são vestígios de uma cidade que cresceu durante séculos voltada para o Atlântico.

O século XV colocou Lagos no centro da expansão marítima portuguesa

Foi no século XV que Lagos ganhou um protagonismo particular. A cidade tornou-se uma das principais bases das primeiras viagens portuguesas ao longo da costa africana, muito ligada à atividade promovida pelo Infante D. Henrique. Do seu porto partiram embarcações e navegadores, entre eles Gil Eanes, associado à passagem do Cabo Bojador em 1434.

O movimento marítimo trouxe à cidade comerciantes, embarcações, mercadorias e novas construções. Lagos cresceu em dimensão e importância e consolidou uma relação com o oceano que permanece central na sua identidade.

LAGOS EM QUATRO MOMENTOS

Quatro datas que ajudam a compreender a cidade

1249
Lagos é integrada no território português após a conquista cristã.

Século XV
O porto ganha protagonismo nas primeiras viagens portuguesas ao longo da costa africana.

1573
Lagos é elevada a cidade durante o reinado de D. Sebastião.

1755
O terramoto e o maremoto destroem uma parte significativa da cidade e alteram o seu percurso.

Há um capítulo desta história que não deve ficar fora da narrativa

O crescimento de Lagos durante o século XV esteve também ligado ao tráfico de pessoas escravizadas provenientes de África. A cidade tornou-se um dos primeiros pontos europeus de chegada e comercialização de pessoas capturadas durante a expansão portuguesa.

Hoje, esse passado é recordado no centro histórico, junto à Praça Infante D. Henrique, através do Núcleo Museológico Rota da Escravatura. A presença deste espaço é importante porque permite olhar para a expansão marítima portuguesa sem separar os avanços náuticos e comerciais das consequências humanas que fizeram parte do mesmo período.

  • D. Henrique - Lagos
    D. Henrique - Lagos

Séculos depois, outro acontecimento voltaria a transformar profundamente Lagos. A 1 de novembro de 1755, o terramoto e o maremoto que atingiram a costa portuguesa destruíram uma parte significativa da cidade. Lagos perdeu parte da importância política e administrativa que tinha adquirido e a recuperação prolongou-se durante décadas.

A cidade que encontramos hoje resulta também dessa reconstrução. Alguns edifícios sobreviveram, outros foram recuperados ou reconstruídos, deixando no centro histórico marcas de diferentes períodos da história de Lagos.

A história de Lagos ainda se encontra nas ruas da cidade

Uma caminhada pelo centro histórico permite reconhecer vários desses vestígios. As muralhas e o Castelo dos Governadores recordam a importância defensiva de Lagos, enquanto o Forte da Ponta da Bandeira, construído no século XVII junto à entrada do antigo porto, mostra a relação estratégica que a cidade manteve durante séculos com o mar.

Também aqui se encontra a Igreja de Santo António, conhecida pelo interior barroco revestido de talha dourada e azulejos. Na Praça Infante D. Henrique, o Núcleo Museológico Rota da Escravatura aborda um capítulo muito diferente da mesma história, permitindo compreender a ligação de Lagos ao tráfico de pessoas escravizadas durante a expansão portuguesa.

Em poucos minutos a pé, é possível passar por estruturas defensivas, edifícios religiosos, praças ligadas à expansão marítima e lugares que ajudam a compreender os episódios mais difíceis do passado da cidade. É esta proximidade entre épocas tão diferentes que dá ao centro histórico uma identidade muito própria.

DESCOBRIR LAGOS

Do centro histórico à costa de Lagos

Conhecer a história da cidade muda também a forma como se olha para Lagos. As praias e falésias continuam a fazer parte da viagem, mas podem ser combinadas com uma manhã pelo centro histórico, uma passagem pelas muralhas ou uma visita aos espaços que contam diferentes capítulos do passado local.

Para ficar na cidade, a The Editory tem três opções em Lagos: o Aqualuz Lagos by The Editory, o The Editory By The Sea Lagos e o The Editory Residence Lagos.

DESCOBRIR LAGOS

Lagos continua profundamente ligada ao Atlântico. Entre as muralhas, as igrejas e as praças do centro histórico percebe-se, porém, que o mar é apenas uma das formas de começar a contar a cidade.

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